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Diz-se que somos o que comemos e é uma grande verdade. Ao longo de vários anos fiz de tudo para perder peso. Essencialmente dietas ioiô, baseadas somente na contagem de calorias e na escolha de alimentos enriquecidos em corantes e adoçantes artificiais. Apesar dos resultados satisfatórios, quase sempre o saldo final seria, ao fim de alguns meses, o regresso ao antigo e insatisfatório peso! O problema não estava em quem orientava estes mesmos planos alimentares, mas na instabilidade da minha própria essência.

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Somos o que comemos

Percebi com o tempo, que o sucesso para a perda de peso (‘jamais’ usarei o termo quanto a mim com conotação de obrigatoriedade, chatice, dificuldade, obstáculo, prisão, privação: DIETA) está simplesmente na nossa mente. Não se trata somente de acreditar que somos capazes e merecedores de um corpo mais harmonioso e equilibrado, mas sobretudo de perceber que, enquanto cocriadores ativos da nossa vida, o nosso corpo é o resultado de todas as opções e escolhas feitas desde sempre. Efetivamente, somos o que comemos. 

Escondemo-nos muitas vezes por detrás de máscaras, roupas largas ou, até, medicamentos para emagrecer, delegando todo este processo (que no fundo se baseia em dolorosas tomadas de consciência e no curar de feridas) a outros que se dizem detentores de curas milagrosas e pílulas mágicas para o nosso caso.

O que posso melhorar em mim?

  • Ter coragem para olhar para si e assumir as rédeas do seu destino, deixando para trás toda e qualquer experiência falhada, mágoas, desgostos e falsas expectativas.
  • Praticar meditação: segundo um estudo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, divulgado no American Journal of Health Promotion: «Meditar pode ser mais eficiente para perder peso do que fazer dieta».
  • Encher e alimentar toda a sua mente com motivos reais de satisfação e fonte de alegria, como por exemplo, abraçar os seus filhos, sentir o cheiro da terra molhada, agradecer cada raio de Sol mas também cada dia cinzento. Poderá até saborear o seu bolo de chocolate preferido, porque acredito que comer será sempre uma forma de prazer, mas trate simplesmente de se alimentar em consciência e, de preferência, usando os cinco sentidos a cada dentada! Quantas vezes admirou a cor do pêssego que tem na sua mão? E o seu cheiro? O seu tamanho e a sua forma? Quantas vezes o comeu tão rapidamente que mal o saboreou, apenas para poder passar a uma etapa seguinte da sua infindável lista de afazeres?

O importante é entender que a maioria das nossas refeições não são feitas em consciência, são automatizadas e regidas por estímulos quase sempre inconscientes, relacionados com o stress diário e ansiedade face a um futuro cada vez mais incerto.

Esteja mais atento e desperto. Abandone velhos estados de alma, situações de vitimização e renasça… sorria… caminhe na praia quer faça chuva ou faça Sol… como afirma o escritor Deepak Chopra: «A infelicidade alimenta-se da inércia…», crie dinâmicas na sua vida… e sempre que esteja perante algo (mais tóxico), mas que ainda assim deseja comer, abrande o seu instinto e questione-se: contribuirá este alimento para a minha saúde? Qual o consolo que pretendo obter? Estarei mesmo com fome ou é mera gulodice? A ingestão deste alimento é feita em consciência? Qual o vazio que quero preencher… o do estômago ou o da alma? – De que é que tenho fome efetivamente?

Claro que nem sempre as respostas serão imediatas na sua mente, mas com o tempo e a prática da meditação, elas vão ganhando espaço em si e constatará que ao estar realmente presente nas suas escolhas, o seu dia a dia ficará diferente. Como refere J. Krishnamurti, escritor: «A verdadeira meditação dura 24 horas por dia».

Com tempo e atenção aos seus pensamentos e escolhas, tudo se tornará natural. Basta ter consciência de que somos o que comemos. 

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Alexandra Pinto Guedes
Professora de yoga e relaxamento para crianças e meditação para adultos
alexapintoguedes@gmail.com

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