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Calcula-se que 3 em cada 10 pessoas sofram de algum tipo de alergia, uma proporção que curiosamente tem vindo a aumentar vertiginosamente nas últimas décadas, sobretudo nos países desenvolvidos. As alergias são o resultado da combinação de factores ambientais, hereditários e psicoemocionais que desequilibram o sistema imunitário e provocam reacções de hipersensibilidade que vão de uns simples espirros a manifestações patológicas mais graves, como a asma ou os eczemas. Também podem ser as causadoras de outras alterações aparentemente não relacionadas, como a hiperactividade, as enxaquecas, a artrite ou a fadiga crónica.

 

O sistema imunitário, guardião da saúde

Assim sendo, à pergunta ‘o que é uma alergia?’ podemos dar uma primeira resposta: trata-se de uma reacção excessiva do sistema imunitário. No entanto, as coisas não são assim tão simples e a resposta tem de ser aprofundada. O sistema imunitário é como um Ministério da Defesa pessoal e intransmissível que se encarrega de repelir as constantes agressões do exterior. Esta complexa rede defensiva está distribuída por todo o corpo, sendo formada por órgãos, células e substâncias solúveis. Pode-se dizer, sem que isso pareça exagero, que sem o sistema imunitário a vida seria impossível e obrigar-nos-ia a estar numa campânula estéril para evitar que qualquer elemento, minimamente patogénico, nos fulminasse. O problema está no facto de algumas pessoas terem um sistema imunitário que, perante uma determinada substância ou situação, reage sem necessidade e põe em andamento um dispositivo defensivo de grande escala.

Os órgãos mais conhecidos na engrenagem do sistema imunitário são os gânglios, que formam cadeias que se distribuem por todo o organismo e que se inter-relacionam através do sistema linfático. Os que mais se destacam já que chegam a ser palpáveis e visíveis quando incham– são os do pescoço, das axilas e da região inguinal, mas também os podemos encontrar na cavidade torácica e na abdominal.

No que respeita às células do sistema imunitário, as mais importantes são os glóbulos brancos.

No que diz respeito às substâncias solúveis, existe uma grande diversidade delas, sendo os anticorpos as mais populares. No pólo oposto da fama está o Complexo Major de Histocompatibilidade (MHC – Major Histocompatibility Complex) que, apesar do seu nome tão pouco sonoro, é a base do sistema imunitário. Em linguagem simplificada, o MHC consiste no conjunto de moléculas presentes na superfície das células, cuja missão é identificar o que é seu e o que é estranho ou, em terminologia bélica, o amigo e o inimigo do nosso organismo.

 

As causas da alergia

As alergias constituem, sem dúvida alguma, uma patologia multifactorial que torna difícil relacioná-las com uma única causa. A alteração da resposta imunológica tem diferentes causas.

 

  1. O excesso de higiene

Durante milhares de anos, o sistema imunitário do ser humano especializou-se em fazer frente a ameaças como bactérias, vírus, fungos e parasitas intestinais. Nas sociedades acomodadas, devido às melhorias nos hábitos de higiene e ao estilo de vida urbano, muitos destes inimigos potenciais desapareceram.

Quando não há perigos para enfrentar, o sistema imunitário torna-se ocioso e baixa o limiar do que considera tolerável. Sem que nos apercebamos dos sintomas, vai-se formando no nosso organismo um incrível arsenal de armas face a algumas substâncias presentes no pólen, no pó, nos ácaros, no pelo dos animais, nos alimentos, etc., cujo único ‘crime’ é a sua estrutura fazer lembrar vagamente a estrutura das proteínas, presentes nas paredes celulares de bactérias, vírus e parasitas. Portanto, o sistema imunitário identifica-as como uma ameaça e passa a agir em conformidade.

 

  1. O bombardeamento químico

Está comprovado que os habitantes das cidades têm mais alergias do que os restantes. A causa parece estar associada à exposição constante dos citadinos aos resíduos da combustão dos automóveis e à poluição ambiental. Dá-se o paradoxo de o sistema imunitário ter de enfrentar menos microorganismos numa cidade, mas de todos os dias estar exposto a milhares de substâncias químicas, muitas das quais ele desconhece.

 

  1. Os antibióticos e as vacinas

Adoecer faz parte do processo de desenvolvimento do sistema imunitário. O aumento das alergias, e de outras doenças crónicas de tipo imune, parece estar directamente relacionado com a diminuição das infecções na infância, o que se deve a um maior consumo de antibióticos e à prática massiva da vacinação. Por outro lado, perante o primeiro sintoma de infecção (tosse, febre, mucosidade, etc.), as pessoas têm tendência a automedicarem-se com fármacos que cortam de raiz as reacções de eliminação do organismo, o que leva o sistema imunitário a não poder agir por si mesmo e, consequentemente, a debilitar-se.

 

  1. A influência da herança

1 em cada 10 pessoas tem uma predisposição inata para desenvolver alergias: são denominadas pessoas atópicas. Estas pessoas têm tendência para produzir quantidades excessivas de imunoglobulina tipo E (lgE).O estado atópico é hereditário, ou seja, herda-se a predisposição para desenvolver certas patologias de tipo alérgico. Mas isto não significa que todas as pessoas atópicas venham a ter uma alergia e é mesmo possível que muitas delas permaneçam livres de sintomas ao longo de toda a sua vida. De um ponto de vista estatístico, calcula-se que, com o tempo, cerca de 50% de filhos de alérgicos venham a sofrer reacções de hipersensibilidade. Se é apenas um dos progenitores que a sofre, então a percentagem diminui para 30%.

 

  1. Factores psicológicos

O sistema imunitário está altamente ligado ao plano mental. É prova disso o facto de uma pessoa alérgica a gatos, por exemplo, poder sofrer um ataque de espirros por ver a fotografia do animal ou por pensar que há algum gato por perto, ainda que não haja. Também se demonstrou que existe uma relação entre certos rasgos de personalidade e a propensão para sofrer de alergias: a desconfiança e a insegurança excessivas costumam caracterizar a maioria dos alérgicos. Neste aspecto, o vínculo que se estabelece durante a infância com os pais parece desempenhar um papel importante, especialmente nos asmáticos. As crianças que sofrem de asma alérgica costumam ter uma forte dependência da mãe, temem perder o seu afecto e, em geral, têm medo de ser ignoradas ou pouco queridas pelos outros.

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Conheça agora alguns remédios naturais caseiros

A naturopatia, ou medicina natural, propõe alguns remédios caseiros de urgência, que podem preparar-se rapidamente, para fazer face aos penosos sintomas das reacções alérgicas.

A comichão, a congestão nasal ou os olhos lacrimejantes, tão próprios de um quadro alérgico, podem ser aliviados de forma eficaz, pondo em prática estas receitas naturais.

  • Pasta de bicarbonato de sódio. Utilizada para a comichão na pele. Misture meia chávena de bicarbonato com umas gotas de amoníaco, até obter uma pasta que deve aplicar na zona afectada. Deve evitar-se inalar o preparado.

 

  • Banhos tépidos. Em caso de comichão e supuração ocular, mergulhe um pano em água tépida e aplique-o nos olhos durante 10min. Pode repetir-se esta operação de 3 em 3 horas.

 

  • Água salgada. Para a congestão nasal, prepara-se uma solução de meia colher de sopa de sal, num quarto de litro de água. Colocam-se umas gotas em cada orifício nasal e espera-se 10min. Só depois deverá assoar-se.

 

  • Gargarejos: eficazes em casos de irritação da garganta. Dissolvem-se duas colheres de sal num quarto de litro de água quente e gargareja-se durante 5min: sentirá, de imediato, um efeito balsâmico e calmante na zona afectada.

 

  • Compressas frias e quentes. Especialmente eficazes contra a sinusite. Mergulhe um pano em água quente, torça-o e aplique-o na zona congestionada até o calor se dissipar. De seguida, aplique uma compressa fria e continue o processo durante 10min, alternando entre o frio e o calor. Repita o processo 4 vezes ao dia.

 

Autoria: Rosa Guerrero, Terapeuta especialista em naturopatia e homeopatia

Fonte: Tratamento Natural das Alergias – Rosa Guerrero – Nascente

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