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10 superstições bem conhecidas – qual a origem?
por Andreia Vale

São muitas as superstições que por vezes nos condicionam os comportamentos – evitamos fazer certas coisas, ou adotamos rituais nem sabemos bem porquê, mas que nos trazem conforto e que acreditamos afastarem a pouca sorte. O mais recente livro da jornalista Andreia Vale, «Cruz credo bate na madeira» (Manuscrito), debruça-se sobre o porquê e a origem de mais de cem superstições que todos conhecemos. A autora escolheu 10 superstições para partilhar consigo.

1- Bater na madeira 
Correndo o risco de puxar a brasa à minha sardinha, assumo que esta é a minha superstição preferida e das poucas que cumpro à risca. À mínima conversa sobre algum acontecimento menos positivo ou desgraça, é ver-me de mão a voar para cima de uma mesa, a bater 3 vezes e a exclamar “cruz credo” ou “que o Diabo seja cego, surdo e mudo”. Uma das explicações para este gesto pode estar no facto de a cruz onde Jesus Cristo foi crucificado ser feita de madeira.

Superstições bem conhecidas - Bater na madeira 

Superstições bem conhecidas – Bater na madeira 

 

2 – Partir um espelho
Há uns anos, e no espaço de poucos meses, parti dois espelhos. Claro que me fartei de chorar. Pensei logo se os sete anos de pouca sorte acumulavam mas alguém me disse que o segundo espelho anulava o efeito do primeiro. Se acumularem só me safo da maldição daqui a um ano. Porque se julga que um espelho reflecte o corpo mas também a alma e por isso, se se parte um espelho, parte-se também a alma.

Superstições bem conhecidas - Partir um espelho

Superstições bem conhecidas – Partir um espelho

 

3 – Número 13
Não posso ser supersticiosa com o número 13. O meu filho mais velho nasceu numa sexta-feira 13 e é um miúdo incrível. Talvez por isso para mim este seja um número da sorte. Uma das histórias que deu má fama ao número treze está relacionada com a Última Ceia, quando Jesus Cristo se sentou à mesa com os doze apóstolos. Foi a última refeição antes de Cristo ser crucificado. Daqui nasceu a convicção de que reunir treze pessoas à mesa condena o mais novo, ou a primeira pessoa a levantar-se, à morte.

Superstições bem conhecidas - Número 13

Superstições bem conhecidas – Número 13

 

4 – “À nossa!”
O que faz nos seus brindes? Espero que não brinde com água, que descruze as pernas e que olhe bem nos olhos porque chama a má sorte, se não o fizer, dizem. Uma das teorias que explica o hábito de brindar diz que batemos com os copos uns nos outros para evitar o envenenamento por bebidas adulteradas. Quando o líquido entornado passasse de um recipiente para o outro, assegurava-se ao convidado que a bebida oferecida era segura.

Superstições bem conhecidas - "À nossa!"

Superstições bem conhecidas – “À nossa!”

 

5 – O ramo da noiva

É tradição supersticiosa que num casamento o ramo da noiva acabe o dia a voar por cima da cabeça da mulher casada, em direção a um grupo de mulheres solteiras que se juntam na esperança de o conseguir apanhar, desejosas de serem as próximas a casar. O hábito nasceu como alternativa ao que se fazia noutros tempos quando o vestido da noiva era considerado um talismã e levava outras mulheres a perseguirem a noiva para lhe arrancarem bocados do vestido.

Superstições bem conhecidas - O ramo da noiva

Superstições bem conhecidas – O ramo da noiva

 

6 – Elefantes
Tenho três elefantes em casa (um de madeira, um de pano e um de cerâmica) e mantenho-os de rabo virado para a porta para dar sorte. Um elefante em si é um símbolo de inteligência, força, sabedoria, boa memória, e longevidade e tem, de forma unânime, uma conotação positiva.  Ter um elefante em casa serve para evitar a falta de dinheiro e traz prosperidade e felicidade para o lar.

Superstições bem conhecidas - Elefantes

Superstições bem conhecidas – Elefantes

 

7 – Cuecas azuis
Na passagem de ano escolha a cor da roupa interior que quiser pois na verdade qualquer cor pode ter um significado e dar sorte em várias áreas da sua vida. Entre as versões mais conhecidas dizem que se deve usar azul para sorte, vermelho para amor, amarelo para dinheiro, branco para paz e verde para saúde/esperança.

Superstições bem conhecidas - Cuecas azuis

Superstições bem conhecidas – Cuecas azuis

 

8 – “Muita merda”
“Muita merda” é uma expressão que dataria da época (algures no século XIX) em que em França os espectadores usavam meios de transporte como carroças ou charretes para se transportarem até aos locais das representações. Esses meios de transportes, com tracção animal, ficavam estacionados à entrada dos teatros e era normal que os cavalos fizessem ali mesmo as suas necessidades. A quantidade de fezes que ali deixassem era proporcional ao número de espectadores que iria assistir à peça, logo desejar muita merda aos artistas era algo que fazia todo o sentido.

Superstições bem conhecidas - "Muita merda"

Superstições bem conhecidas – “Muita merda”

 

9 – Pensamentos mágicos 
Um pensamento mágico é um raciocínio que estabelece uma relação entre acções ou acontecimentos e determinados eventos. Por exemplo: para mim é estar a chegar a um semáforo e pensar “se ele ainda estiver verde quando eu passar, vou ser feliz e os meus desejos vão realizar-se”. E ser muito aldrabona é perceber que o semáforo vai ficar amarelo e dizer logo “ah pronto, desta vez não estava a contar!”. J

Superstições bem conhecidas - Pensamentos mágicos 

Superstições bem conhecidas – Pensamentos mágicos

10 – Os nomes dos sétimos filhos 
A minha avó materna foi a sétima menina a nascer, de dez filhas que os meus bisavós maternos tiveram. Foi baptizada Eva porque naquele tempo acreditava-se que a sétima filha a nascer tinha de se chamar Eva para evitar que se tornasse bruxa, caso não nascessem mais raparigas na família. Por acaso nasceram mais três mas o nome ficou. De bruxa a minha avó nada tem.

Superstições bem conhecidas - Os nomes dos sétimos filhos 

Superstições bem conhecidas – Os nomes dos sétimos filhos

 

Sobre a autora: Andreia Vale é jornalista e pivot do CMTV, e ainda autora dos livros «Puxar a brasa à nossa sardinha» (2015) e «Cruz credo, bate na madeira» (2016), ambos editados pela Manuscrito.
Mais sobre o livro em:
www.presenca.pt/livro/cruz-credo-bate-na-madeira/

Capa do livro «Cruz credo, bate na madeira», de Andreia Vale, jornalista e pivot do CMTV, edição Manuscrito

Capa do livro «Cruz credo, bate na madeira», de Andreia Vale, jornalista e pivot do CMTV, edição Manuscrito

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